GUAÇUÍ (ES) – No último sábado (28), Guaçuí foi palco de um evento marcante que uniu a ancestralidade dos povos ciganos à magia do picadeiro. Realizado no Circo Orlando, o encontro simbolizou um importante passo na promoção da inclusão social e no reconhecimento da diversidade cultural.
A ação partiu de uma iniciativa do Padre Clebson de Souza Rodrigues, que assumiu a Paróquia Nossa Senhora de Lourdes, no distrito de Celina (Alegre), no dia 11 de fevereiro. Sabendo da frequência da comunidade cigana nas missas de sua paróquia, o pároco fez questão de retribuir esse gesto com um convite especial para uma noite de lazer e integração no circo.

Um Marco de Inclusão
O evento marcou uma das primeiras grandes ações de impacto social da nova gestão paroquial.
O Padre Clebson, que se destaca pelo trabalho na Pastoral dos Nômades da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim, reiterou seu compromisso com as “periferias existenciais” — grupos em situação de vulnerabilidade e constante deslocamento.
“É um valor divino. É preciso ter um coração generoso para acolher a proposta que lhes é feita”, afirmou o pároco, visivelmente emocionado ao testemunhar a alegria e a integração dos grupos durante o espetáculo.

Uma Igreja “Em Saída”
O evento transcendeu o entretenimento e se tornou uma demonstração prática da missão da Pastoral dos Nômades no Espírito Santo. Criada em 1987 pela CNBB, essa pastoral oferece assistência espiritual e social a ciganos, circenses e parquistas. No estado, sua atuação se baseia em três pilares essenciais:
Combate ao Preconceito: Garantia de direitos básicos, como saúde e educação, para aqueles sem residência fixa.
Assistência Sacramental: Realização de batismos e casamentos diretamente nos acampamentos e “lonaços”.
Ponte Institucional: Mediação entre grupos itinerantes e o poder público local para garantir que suas necessidades sejam atendidas.
Cultura e Visibilidade
A reunião sob a lona do Circo Orlando ressaltou a importância de respeitar a pluralidade cultural. O encontro ofereceu visibilidade a grupos que, embora fundamentais para a cultura popular brasileira, ainda enfrentam grandes obstáculos para acessar direitos fundamentais, como a cidadania.
Para a população de Guaçuí, o dia representou uma grande lição de acolhimento. Entre risadas e aplausos, as fronteiras entre o fixo e o nômade se desfizeram, provando que a união e o respeito mútuo podem coexistir, independentemente de onde se arme a tenda.
Por Sérgio Oliveira, bloglastminutenews@proton.me
Crédito das fotos: Divulgação

