A Casa de Retiros Mãe da Igreja, em Jerônimo Monteiro (ES), acolheu entre os dias 27 e 30 de julho a 37ª Assembleia Nacional da Pastoral dos Nômades do Brasil, reunindo bispos, presbíteros, diáconos, religiosos, religiosas, seminaristas, agentes de pastoral e representantes de diversas dioceses do país. O encontro marcou um momento histórico para a Pastoral dos Nômades por ser a primeira Assembleia Nacional realizada pela atual Diretoria Executiva, eleita no início deste ano, inaugurando uma nova etapa de organização, planejamento e fortalecimento da missão junto aos povos nômades.
A programação teve início no dia 27 de julho com o I Encontro de Animação Pastoral da Pastoral dos Nômades no Regional Leste 3 (LE3), iniciativa que reuniu representantes das dioceses de Cachoeiro de Itapemirim, Colatina, São Mateus, Eunápolis e das Arquidioceses de Vitória e do Rio de Janeiro. O encontro foi pensado como um espaço de formação, animação missionária e fortalecimento das equipes locais, preparando espiritualmente e pastoralmente os participantes para a Assembleia Nacional.

Conduzido por Dom José Edson Santana Oliveira, bispo referencial da Pastoral dos Nômades na CNBB, o encontro contou com importantes momentos de reflexão sobre a missão da Igreja junto aos povos itinerantes. Um dos momentos mais marcantes foi o testemunho da cigana Rosa, da Bahia, que compartilhou sua história de vida, a riqueza da cultura cigana e os desafios enfrentados por seu povo, despertando nos participantes uma profunda reflexão sobre acolhida, respeito, diálogo e presença missionária.
A programação ainda trouxe conferências do Pe. Clébson Rodrigues sobre a missão da Igreja entre os povos ciganos e da secretária nacional, Cherlia Vieira da Silva, que apresentou os principais documentos e orientações do Magistério da Igreja relacionados à Pastoral dos Nômades. Também foi apresentada a experiência do projeto Leste 3 em Missão, conduzida pelo diretor executivo nacional, Cícero Pereira, compartilhando os frutos das visitas missionárias realizadas no Espírito Santo e no noroeste fluminense, demonstrando que a evangelização acontece por meio da presença, da escuta e da convivência.

A Assembleia Nacional foi oficialmente aberta no dia 28 de julho em um ambiente marcado pela espiritualidade, pela fraternidade e pela comunhão entre as diferentes realidades pastorais presentes. A reflexão inicial foi conduzida por Dom Luiz Fernando Lisboa, que recordou que a missão da Igreja nasce da capacidade de fazer-se presença no meio do povo, especialmente junto às pessoas que vivem em situação de mobilidade humana. Sua experiência missionária em Moçambique trouxe aos participantes um profundo chamado à escuta, ao serviço e ao testemunho do Evangelho.

Ao longo dos três dias, a espiritualidade esteve presente em todos os momentos da programação por meio da celebração do Ofício Divino, da Lectio Divina, das Santas Missas e dos momentos de convivência fraterna, reforçando que toda ação pastoral nasce da oração e da experiência de encontro com Cristo.
Um dos grandes diferenciais desta 37ª Assembleia foi a nova metodologia de trabalho adotada pela atual diretoria, que privilegiou a construção coletiva e o planejamento estratégico. Em vez de apenas discutir propostas isoladas, os participantes foram organizados em grupos temáticos para analisar a realidade da Pastoral dos Nômades, identificar desafios, reconhecer potencialidades e definir prioridades concretas para os próximos anos. Utilizando ferramentas de planejamento, como a análise SWOT, os grupos elaboraram propostas que, posteriormente, foram debatidas, aperfeiçoadas e aprovadas em plenária.

Essa dinâmica teve como principal resultado a elaboração do Plano Nacional de Pastoral da Pastoral dos Nômades para o período de 2026 a 2027, documento que passa a orientar as ações da pastoral em todo o território nacional. O plano estabelece prioridades para fortalecer as equipes diocesanas, ampliar a formação permanente dos agentes, incentivar a criação de novas equipes paroquiais, fortalecer a comunicação institucional, produzir subsídios catequéticos e missionários, ampliar a presença junto às comunidades ciganas, circenses e parquistas e intensificar o diálogo com outras pastorais, organismos da Igreja e instituições públicas.

Além do planejamento pastoral, a Assembleia proporcionou importantes momentos de formação. Frei Marcelo Toyanski Guimarães aprofundou a reflexão sobre o tema central relacionando a missão da Igreja com a Campanha da Fraternidade de 2026, refletindo sobre moradia, dignidade humana e a presença da Igreja junto às populações em situação de mobilidade. Também foi apresentada a experiência do projeto Capacita em Rede, desenvolvido em parceria com o Instituto Federal do Sul de Minas e a CNBB, demonstrando como a qualificação profissional pode contribuir para a promoção humana das comunidades ciganas.
A programação também abriu espaço para a memória e a partilha das experiências missionárias desenvolvidas nas diferentes regiões do Brasil, fortalecendo a identidade da Pastoral dos Nômades e reafirmando o compromisso da Igreja com a evangelização inculturada, o respeito às diferentes culturas e a defesa da dignidade dos povos itinerantes.
Ao final dos trabalhos, foram aprovadas as diretrizes pastorais que orientarão a missão da Pastoral dos Nômades nos próximos anos, consolidando um caminho construído de forma participativa por representantes de diversas dioceses brasileiras. As decisões assumidas durante a Assembleia reforçam o compromisso de ampliar a presença missionária da Igreja, fortalecer a formação de agentes, promover maior articulação entre dioceses e regionais e intensificar a defesa dos direitos dos povos nômades.

Mais do que uma reunião administrativa, a 37ª Assembleia Nacional da Pastoral dos Nômades do Brasil tornou-se um verdadeiro marco na caminhada da pastoral. Por ser a primeira assembleia da atual diretoria e pela metodologia inovadora de construção coletiva do Plano Nacional de Pastoral, o encontro inaugurou uma nova forma de pensar, planejar e realizar a missão, fortalecendo a comunhão entre as dioceses e renovando o compromisso de uma Igreja que se faz presença, acolhe, caminha e evangeliza respeitando a identidade, a cultura e a história dos povos nômades.
Com o envio missionário celebrado na Santa Missa de encerramento, os participantes retornaram às suas dioceses levando consigo não apenas as deliberações da Assembleia, mas também o entusiasmo de continuar construindo uma Pastoral dos Nômades cada vez mais organizada, presente e comprometida com o anúncio do Evangelho e com a promoção da dignidade humana.


















