Bispo de Rio Grande e vice-presidente nacional da Pastoral dos Nômades do Brasil mantém viva sua missão de evangelização e acompanhamento das famílias circenses
Na tarde desta quinta-feira, 20 de agosto, o picadeiro do Circo Pantanal, em Rio Grande (RS), tornou-se espaço de fé, encontro e comunhão. O Dom Jorge Pierozan, bispo da Diocese do Rio Grande e vice-presidente nacional da Pastoral dos Nômades do Brasil, celebrou a Santa Missa junto aos artistas, trabalhadores, comunidade católica local e suas famílias.
A celebração expressa uma missão que acompanha Dom Jorge há mais de quatro décadas: estar próximo do povo circense, evangelizar, escutar suas necessidades e caminhar junto às famílias que fazem do circo seu trabalho, sua comunidade e seu modo de vida.
Mais do que uma celebração religiosa, a presença do bispo no picadeiro reafirma uma Igreja que não espera o povo chegar até seus templos, mas que vai ao encontro das pessoas onde elas estão.
Uma história que começou no picadeiro
A relação de Dom Jorge com o universo circense começou ainda muito jovem.
Aos 19 anos, em 1984, ele passou a trabalhar no Circo Panamericano, que havia chegado à sua cidade natal, Vanini, no Rio Grande do Sul. Durante cerca de um ano e meio, conheceu de perto a vida itinerante e o cotidiano dos trabalhadores do circo.
Atuou como partner, auxiliando nas apresentações, participou de números com touros e chegou também a atuar como palhaço.
Foi justamente durante essa experiência que sua vocação religiosa começou a amadurecer.
A convivência com os artistas e trabalhadores circenses permitiu que Dom Jorge conhecesse não apenas a beleza do espetáculo, mas também os desafios enfrentados por uma população que vive em constante deslocamento.
Entre esses desafios estava também a dificuldade de acesso à vida religiosa. Por causa da rotina das apresentações e da itinerância, muitas vezes os trabalhadores não conseguiam participar das celebrações nas comunidades por onde passavam.
Foi nesse contexto que nasceu em Dom Jorge o desejo de ingressar no seminário e, um dia, voltar ao circo para estar junto daquele povo e celebrar com ele.
Uma missão que continua até hoje
O desejo daquele jovem de 19 anos não ficou no passado.
Ao longo de sua caminhada sacerdotal e, posteriormente, episcopal, Dom Jorge manteve sua proximidade com as comunidades circenses, celebrando missas, acompanhando famílias e desenvolvendo ações de evangelização e trabalho social.
Hoje, como bispo da Diocese do Rio Grande e vice-presidente nacional da Pastoral dos Nômades do Brasil, ele continua exercendo essa missão.
A Pastoral acompanha pessoas e comunidades que vivem em situação de mobilidade, com atenção especial aos circenses, povos ciganos e trabalhadores de parques de diversão.
Essa presença pastoral busca compreender as realidades específicas desses grupos, fortalecer sua vida comunitária, apoiar suas necessidades e garantir que também tenham acesso à evangelização, aos sacramentos e à ação social da Igreja.
Por isso, a celebração realizada no Circo Pantanal não representa um simples reencontro com uma história passada. É, sobretudo, a continuidade de uma caminhada que Dom Jorge construiu junto ao povo circense.
A Igreja que vai ao encontro
Para as comunidades circenses, a presença da Igreja possui um significado especial.
A itinerância faz com que essas famílias passem por diferentes cidades e dioceses, muitas vezes permanecendo apenas alguns dias ou semanas em cada local.
Nesse contexto, a ação da Pastoral dos Nômades procura acompanhar esse movimento e garantir que a Igreja também esteja presente nas estradas, nos acampamentos, nos circos e nos espaços onde essas comunidades desenvolvem sua vida e seu trabalho.
A celebração da Santa Missa no picadeiro expressa exatamente essa dimensão.
Ali, entre artistas, trabalhadores e famílias, o espaço do espetáculo transforma-se também em espaço de oração, fraternidade e encontro com Deus.
Um compromisso com a dignidade e os direitos
A missão junto aos circenses também ultrapassa a dimensão religiosa.
A Pastoral dos Nômades do Brasil tem atuado na defesa da dignidade, do reconhecimento e dos direitos das populações nômades, buscando sensibilizar a sociedade e o poder público para as necessidades específicas dessas comunidades.
No caso dos circenses, essa atuação ganhou ainda mais força diante do reconhecimento do Circo de Tradição Familiar como Patrimônio Cultural do Brasil pelo IPHAN.
O reconhecimento representa uma conquista histórica, mas também reforça a responsabilidade de toda a sociedade na preservação dos saberes, tradições e modos de vida que constituem a cultura circense.
Nesse cenário, a presença pastoral se torna ainda mais importante: evangelizar, acompanhar, ouvir e também defender a dignidade daqueles que fazem do circo uma forma de vida e de expressão cultural.
Um bispo que conhece a realidade do povo que acompanha
A trajetória de Dom Jorge possui uma característica singular: antes de ser sacerdote e bispo, ele próprio experimentou a vida do circo.
Conheceu a estrada, o picadeiro, o trabalho e a convivência cotidiana dos artistas.
Essa experiência permanece como parte importante de sua história e ajuda a explicar a proximidade que mantém com as famílias circenses.
Mais de 40 anos depois daquela primeira experiência, sua missão continua sendo marcada pela mesma disposição: estar próximo, celebrar, servir e caminhar junto.
A celebração no Circo Pantanal é, portanto, expressão de uma Igreja que compreende que a evangelização precisa alcançar todos os lugares e todas as pessoas.
Com fotos e informações da PASCOM da Diocese de Rio Grande – RS.







